Os líderes em peso de carcaças

Luana Deco

O Brasil se consolidou como o maior produtor e exportador de carne bovina do mundo, com uma produção estimada em 12,3 milhões de toneladas, superando outros grandes players globais. Mas por trás desses números existe uma transformação silenciosa e muito importante: a evolução da pecuária brasileira em produtividade, qualidade de carcaça e eficiência por hectare.


Quando analisamos o ranking de peso médio de carcaça por estado, percebemos diferenças significativas entre regiões. No macho, Mato Grosso lidera com 21,26@, seguido por Mato Grosso do Sul (20,53@), Tocantins (20,38@) e São Paulo e Goiás empatados em 20,30@. Já entre as fêmeas, os maiores pesos aparecem no Rio Grande do Sul (15,5@), Mato Grosso do Sul (15,48@), Mato Grosso (15,29@) e São Paulo (15,11@). Esses dados mostram como alguns estados vêm se destacando na produção de animais mais pesados e eficientes.


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Não é só o peso que chama atenção. A produtividade por hectare também revela uma evolução impressionante. A média nacional é de 77,3 kg de carcaça por hectare, porém estados como São Paulo (326,93Kg Carcaça/ha), Santa Catarina (167,24 Kg Carcaça/ha), Paraná (160,10 Kg Carcaça/ha), Rondônia (122,35 Kg Carcaça/ha) e Mato Grosso (115,42 Kg Carcaça/ha) se destacam muito acima da média. Por outro lado, alguns estados ainda apresentam índices bastante baixos, como Amapá, Rio Grande do Norte, Piauí, Rio de Janeiro e Roraima, mostrando a grande desigualdade produtiva dentro do país.


Nos últimos 30 anos, a pecuária brasileira avançou de forma expressiva: a produtividade cresceu cerca de 183%, mesmo com uma redução de 18% na área de pastagens. Isso significa que estamos produzindo mais em menos espaço, resultado direto de tecnologia, genética e manejo mais eficiente.


Quando olhamos para o tamanho do rebanho, alguns municípios chamam atenção, como Corumbá-MS (1.992.887 cab), São Félix do Xingu – PA (1.725.255 cab), Porto Velho -RO (1.338.434 cab) e Altamira -PA (1.158.251cab), todos com milhões de cabeças de gado. Apesar disso, a estrutura do rebanho vem mudando, e isso explica parte dos desafios atuais.


E por que estamos com dificuldade as escalas de abate?


Um dos pontos mais importantes é a dificuldade nas escalas de abate, devido aumento do abate de fêmeas, que passou de 33,7% em 2021 para 46,8% em 2025, somado ao crescimento do número de fêmeas abatidas, impacta diretamente a reposição do rebanho e a regularidade da oferta.


Mesmo assim, os principais estados seguem com grandes rebanhos, como Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, embora alguns já apresentem redução no efetivo ao longo dos últimos anos.


Todos esses números mostram uma pecuária em transformação: mais eficiente, mais tecnificada e cada vez mais produtiva. E a tendência é clara — até 2034, o Brasil pode atender cerca de 40% da demanda mundial de carne bovina. Outro ponto relevante é o aumento da terminação intensiva, com crescimento da participação de animais confinados, que passou de 19,18% para 23,52%, reforçando a busca por qualidade e padronização.


No fim, os números impressionam, mas mais impressionante ainda é a velocidade com que a pecuária brasileira está se modernizando e ganhando espaço no cenário global.


 

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